TENTATIVA PARA SALVAR A POESIA:

A poesia agoniza e eu choro, com medo de perder a vaga de poeta.Os mais velhos recomendam cautela com a emoção, repouso, caldo de galinha e linguagem à antiga.Os fatalistas lamentam o cinema e chamam ao nosso século o “das artes visuais”.A televisão é a culpada sentencia um jornalistaversado em filatelia, enquanto uma equipe de cirurgiões estetas luta para livrar o coração da enferma de adiposidades românticas.E eu, que havia programado uma carreira nas letras,seguro a caneta como um boi a olhar um palácio.Cruzo na sala de espera com médicos anestesistasConcretistas, praxistas e derrubo uma bandejade letrinhas coloridas, espaços em branco,ideogramas chineses, balas – belas – bilis – bolas – bulas e seringas.Quando dou por mim estou chutando um caranguejoe comendo bala de goma e limpando um cisco na dragona enquanto o dragão não vem.Quero ver quem tem coragem pra contestarleva rasteira quem se levantar e toma golpe de karatê e cotovelo na cotovia e samba-de-breque teleco-tecopeteleco na orelha – segura, meu chapa! e é só esteta voando contra a parede com nariz de sangue e olho inchado de levar porrada. Abro a janela e mando a doente sair pela tangente com um tapa no traseiro e outros babados.A menina não tem nada, minha gente.Vai, morena, pega teu rumoe toma tentoque essa frescurate mata.

Eduardo Alves da Costa

~ por jonathaswagner em Março 3, 2008.

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