De gramática e de linguagem:

•Março 4, 2008 • Deixe um comentário

E havia uma gramática que dizia assim:

“Substantivo (concreto) é tudo quanto indica
Pessoa, animal ou cousa: João, sabiá, caneta”.
Eu gosto é das cousas. As cousas, sim!…
As pessoas atrapalham. Estão em toda parte. Multiplicam-se em excesso.
As cousas são quietas. Bastam-se. Não se metem com ninguém.
Uma pedra. Um armário. Um ovo. (Ovo, nem sempre,
Ovo pode estar choco: é inquietante…)
As cousas vivem metidas com as suas cousas.
E não exigem nada.
Apenas que não as tirem do lugar onde estão.
E João pode neste mesmo instante vir bater à nossa porta.
Para quê? não importa: João vem!
E há de estar triste ou alegre, reticente ou falastrão.
Amigo ou adverso… João só será definitivo
Quando esticar a canela. Morre, João…
Mas o bom, mesmo, são os adjetivos,
Os puros adjetivos isentos de qualquer objeto.
Verde. Macio. Áspero. Rente. Escuro. Luminoso.
Sonoro. Lento. Eu sonho
Com uma linguagem composta unicamente de adjetivos
Como decerto é a linguagem das plantas e dos animais.
Ainda mais:
Eu sonho com um poema
Cujas palavras sumarentas escorram
Como a polpa de um fruto maduro em tua boca,
Um poema que te mate de amor
Antes mesmo que tu saibas o misterioso sentido:
Basta provares o seu gosto…

Mario Quintana

TENTATIVA PARA SALVAR A POESIA:

•Março 3, 2008 • Deixe um comentário

A poesia agoniza e eu choro, com medo de perder a vaga de poeta.Os mais velhos recomendam cautela com a emoção, repouso, caldo de galinha e linguagem à antiga.Os fatalistas lamentam o cinema e chamam ao nosso século o “das artes visuais”.A televisão é a culpada sentencia um jornalistaversado em filatelia, enquanto uma equipe de cirurgiões estetas luta para livrar o coração da enferma de adiposidades românticas.E eu, que havia programado uma carreira nas letras,seguro a caneta como um boi a olhar um palácio.Cruzo na sala de espera com médicos anestesistasConcretistas, praxistas e derrubo uma bandejade letrinhas coloridas, espaços em branco,ideogramas chineses, balas – belas – bilis – bolas – bulas e seringas.Quando dou por mim estou chutando um caranguejoe comendo bala de goma e limpando um cisco na dragona enquanto o dragão não vem.Quero ver quem tem coragem pra contestarleva rasteira quem se levantar e toma golpe de karatê e cotovelo na cotovia e samba-de-breque teleco-tecopeteleco na orelha – segura, meu chapa! e é só esteta voando contra a parede com nariz de sangue e olho inchado de levar porrada. Abro a janela e mando a doente sair pela tangente com um tapa no traseiro e outros babados.A menina não tem nada, minha gente.Vai, morena, pega teu rumoe toma tentoque essa frescurate mata.

Eduardo Alves da Costa

A visita

•Março 1, 2008 • Deixe um comentário

Outro dia aquele cara apareceu lá em casa. Não entendi bulhufas do que ele falou. Ele disse que tem uma coisa que é parte de mim. É invisível, e meio que está no meu corpo. Perguntei onde no meu corpo que estava, e ele falou que não era bem no meu corpo que estava. Mas falou que estava em perigo, meio que doente ou sei lá o quê. Perguntei como ele sabia que estava doente, e ele disse que a de todo mundo está doente. A gente nasce assim. Perguntei se era que nem o apêndice e se eu devia tirar, mas acho que ele não gostou muito. Ele disse que não dá pra tirar, você tem que viver com aquilo. Perguntei o que aquilo fazia no meu corpo para ser tão importante que eu não podia tirar. Aí ele falou de novo que não estava no meu corpo e eu me senti burro de perguntar. Perguntei o que aquilo fazia fora do meu corpo. Acho que ele não sabia a resposta porque ele começou a piscar um monte de vezes. Ele falou que tem um cara com quem eu podia falar que consertava o negócio de graça. Aí eu achei legal. Perguntei onde estava esse cara. Ele falou que o cara morreu faz um tempão. Quando ele falou que o cara tinha morrido eu fiquei puto, porque achei que ia ter que pagar a maior grana pra outra pessoa consertar aquele meu negócio invisível. Ele falou que tudo bem, e que esse cara que conserta de graça ressucitou três dias depois de morrer. Eu pedi para ele repetir essa parte um monte de vezes, porque aquilo tava muito estranho. Mas foi isso que ele disse. Perguntei se o cara que consertava então era morto-vivo que nem nos filmes de zumbi, e ele não gostou nada, nada. Parece que ele não gosta de filme de zumbi, mas tudo bem, porque tem gente que fica com nojo, que nem a minha irmã. Aí ele falou que o zumbi que conserta o negócio saiu andando um tempo pra todo mundo saber que ele era morto-vivo. Nisso eu acredito, porque é exatamente isso que eu faria se eu fosse morto-vivo. Eu ia andar por aí e assustar todo mundo. Essa é a melhor parte de ser morto-vivo. Isso e aquela história que as balas não te matam. Mas o cara disse que depois de um tempinho o zumbi ficou invisível e tipo em todo lugar e em lugar nenhum ao mesmo tempo. A gente conversou um tempão sobre isso, e eu fiquei todo confuso, e dava pra ver as veias no pescoço do cara. Aí a gente pulou essa parte e ele disse que se eu quisesse que o zumbi me consertasse era só pedir, porque ele escuta tudo que eu falo mesmo que eu fale bem baixinho. Eu ia perguntar como é que o zumbi me ouvia, mas acho que não entendi direito, e me senti burro por perguntar tanta coisa. Bom, aí ele me deu um cartão com umas palavras escritas para eu ler em voz alta. Eu não entendi nada, mas li, e o cara ficou super feliz que eu li, então eu achei legal ter lido. Ele falou que agora eu estava consertado pra sempre, que o zumbi tinha me consertado quando eu disse as palavras. Aí ele me deu outro cartão com um endereço, e falou que eu tinha que acordar cedo no domingo, ir lá com um monte de outros fãs do zumbi e pedir mais uns troços pro zumbi tipo dinheiro e outros lances. Aí eu falei que eu achava que ia, e ele adorou.

É bem cedo, mas acho que eu vou mesmo. Talvez o cara zumbi invisível lá me dê um carro. Tô precisando mesmo de um carro.

 

Apresentado em Novembro de 1997, Sunday Service da North Texas Church of Freethought

COMO CONQUISTAR GAROTAS COM A AJUDA DO ESOTERISMO

•Fevereiro 14, 2008 • 2 Comentários

Você encontrou uma gata deliciosa, mas, para seu desespero, ela só transa se Saturno estiver em retrocesso. Em vez da tabelinha, prefere consultar o I-Ching. Acha que Paulo Coelho é um gênio da raça e não apenas acredita em duendes como conhece pessoalmente uns dois ou três. Bem, temos uma boa notícia: não é preciso se submeter à leitura de obras iniciáticas para fisgar a moça. Basta mentir. Ela não acredita em qualquer coisa? Pois vá em frente! Aqui vão algumas dicas simples de como liberar o druida que existe em você e abater as bruxinhas deste final de milênio.  

O Coelho Corre. Pro abraço

 Paulo Coelho é uma espécie de Ratinho do esoterismo: tem milhões de admiradores, mas sua contribuição ao patrimônio cultural da humanidade é muito discutível. A filosofia coelhiana pode ser resumida assim: “Deus está dentro de nós e, se você fizer o bem, tudo vai dar certo”. Não é grande coisa, mas, pensando bem, para este final de milênio, até que dá pro gasto. Se a garota que você almeja for leitora do “mago”, o melhor é afirmar que você também é um bruxo de grande poder, filiado à Ordem Mística Muito Hermética do Grande Tupper Ware Fechado a Vácuo (O. M. M. H. G. T. W. F. V.). Convide-a para ver a espada cerimonial da ordem, adiantando com ar de mistério: “Ela é enorme, levemente curvada para a direita, e aumenta de tamanho quando manipulada durante os rituais”. Se funcionar, escreva-nos, para que nós da redação também possamos usar o truque.  

Elas São do Baralho!

 Jamais diga que sua especialidade é decifrar os enigmas da sorte no baralho da Playboy. É claro que ela não vai acreditar. Seja mais sutil. Diga-lhe que você vê o destino dos seres humanos num tarô cigano do século XV, e tudo mudará de figura. Ou de naipe. Impressione-a com sua cultura inútil: o Tarô, o mais famoso dos baralhos de adivinhação, foi criado na Itália do século XIV. Alguns espertalhões dizem que é egípcio. Mentira. O baralho originou-se, possivelmente, de um jogo de ilustrações para fábulas medievais que acabou ganhando vida própria sem o texto. O Tarô é composto de 22 Arcanos Maiores e 56 Arcanos Menores. Os Arcanos Maiores têm figurinhas desenhadas e são bem legais; os Menores, muito chatos, nem sequer merecem nossa atenção. Como a interpretação das cartas baseia-se na livre associação de idéias, você só precisará de uma pitada de sensibilidade. Digamos, por exemplo, que, depois de dispor as cartas em círculo e pronunciar palavras cabalísticas em aramaico primitivo, você tire o Arcano 12, vulgo “O Enforcado”. Simples: “Nossa, gata! Um cara tentou se matar por sua causa, mas é tão burro que amarrou a corda no pé!”  Elemental, Caro Watson  Quando ela disser, com aquele sorriso encantador, que viu “um lindo duende esta manhã no jardim”, só há duas respostas possíveis:1. “Ótimo, pega ele pra gente fazer uma salada…” e 2. “Que linda a sua camisa-de-força… É Giorgio Armani?”

No entanto, sarcasmo e ironia nunca ajudaram ninguém a levar uma mulher para a cama (e eu sei do que estou falando). O que você precisa saber para encantar aquela gata de bata indiana, perfume de ervas e incenso nos bolsos é que gnomos e duendes são elementais da natureza. O gnomo é ligado ao reino mineral e o duende ao reino vegetal. Existem também uns bichos ligados aos reinos animal e agual (isso mesmo, agual…), mas isso não vem ao caso. Os elementais se manifestam fisicamente apenas para pessoas que têm muita “luz”, “energia positiva” e “elevada sensibilidade” – e é exatamente o que você tem de dizer se quiser traçar a garota. Ah, sim! Caso o assunto venha à tona, duendes e gnomos se vestem à moda medieval, uma roupa que até no tamanho lembra a dos anõezinhos da Branca de Neve.

Dois Mais Dois Nem Sempre É Quatro  

Ela se chamava Ivete e agora se chama Hywetteh. Tudo para atrair bons fluidos. Deve ter funcionado, porque o corpinho, hmmmmm, está mais bem desenhado que o símbolo do Yin-Yang. Nesse caso, tudo o que você tem de saber sobre numerologia é que ela é a versão ocidental do cabalismo judaico. Funciona assim: se no princípio era o Verbo, então as letras possuem poder e, bem combinadas, podem atrair a sorte. Em suma, o Aurélio é o nosso Deus e o professor Pasquale o seu único profeta. Não existem dois numerólogos que concordem sobre o poder atribuído a cada letra ou palavra, portanto, pode dizer o que lhe vier à cabeça. Tipo: “A expressão ’sexo anal’ tem oito letras e a mesma vibração de Hywetteh. Vira, Hywe, vira…”. Só não vá mudar seu nome de Fábio Arnaldo para Fasianaldo. Seria ridículo, para dizer o mínimo.

I-Ching

 O I-Ching é um oráculo chinês em forma de livro, criado, diz a lenda, pelo imperador Fu-Shi em 2852 a.C. É composto de 64 hexagramas de nomes esquisitos como Ken, Kuan, Tofu, Missoshiru, Tempurá e Chop Suey. Para consultá-lo, basta pegar três moedas e atribuir a cada uma de suas faces os valores “dois” e “três”. Jogue-as para o alto seis vezes e observe o resultado. Cada jogada criará uma das seis linhas dos hexagramas do oráculo. Quando tiver todas essas linhas combinadas, você será remetido para uma das páginas do livro. As respostas do I-Ching, “I” para os íntimos, são tão confusas que o oráculo quase sempre acerta. Digamos, por exemplo, que a pergunta seja: “Será que ela vai dar pra mim?” A resposta será sempre algo um tanto nebuloso, coisas do tipo: “Tofu indica que o caminho estará aberto e o sucesso ao alcance”. O homem superior, nessas situações, deve ser firme e correto e insinuar que a moça precisa preencher o vazio existencial com uma boa picanha. Não entendeu nada, Gafanhoto? É assim mesmo. O I-Ching exige prática e habilidade. Quanto mais estudo, mais incompreensívelfica. Carl Gustav Jung, o Keith Richards de Sigmund Freud, passou anos estudando o oráculo, o que prova que o I-Ching é um negócio sério. Ou que Jung não era tão sério assim.  

Me Tarzan, You Daime

 Cuidado, você está pisando em terreno minado. A gata deliciosa pode muito bem sacar uma borduna da bolsa se você fizer ironia com o Santo Daime. Daime é o chá feito de um cipó pelos índios da Amazônia, também conhecido como ayhuasca. Pois essa gororoba anda fazendo sucesso entre os brancos. E branco, you know, é complicado, neurótico, estressado, culpado, reprimido. Não é capaz de sentir um baratinho e ficar nisso mesmo. Precisa inventar uma religião para justificar a viagem. Nasceu assim o Santo Daime. A seita saiu da selva e chegou às melhores casas das melhores famílias da nossa melhor sociedade. A executiva de tailleur que você está paquerando no restaurante talvez só se comunique em variações semânticas de uga-buga. À menor provocação, ela é bem capaz de virar bicho. Literalmente: um dos lances do daimismo é encontrar o animal-totem protetor. Se for um tatu-bola, tudo bem. Mas, se pintar uma onça-pintada, saia de perto…  

Objeto de Desejo Voador Não-Identificado  

Ai, ai, ai, meu caro: quer dizer que ela curte homenzinhos verdes e jura que já foi abduzida (não confundir com “abusada” ou “seduzida”) por eles?! Ela acha que ArquivoX é baseado em fatos reais?! Não ligue para o hospício. Ainda. Milhões de pessoas afirmam a mesma coisa. Essa crença, a única genuinamente contemporânea, é mais comum do que sonha nossa vã filosofia. Portanto, se a gatinha lunática for gostosa, afirme, sem temer o ridículo, que somos visitados freqüentemente por zeta-reticulanos cinzas e brancos. Ambos vêm da estrela Zeta Retículi, são nanicos, têm um cabeção enorme e dois olhões pretos, embora não possuam nenhum parentesco com o Inocêncio de Oliveira. Os zeta-reticulanos brancos são gente boa. Já os cinzas não valem um dracma: mutilam animais, seqüestram seres humanos e se escondem na famigerada Área 51, no deserto americano de Nevada. Se, ao dizer tudo isso, ela duvidar da sua sinceridade, erga a mão em sinal de paz e pronuncie várias vezes “Klaatu barada nikto!” Ela vai cair de quatro. Caso ela perceba que esta é uma citação do filme O Dia em Que a Terra Parou, melhor ainda. Isto só prova quanto você é ligadão no objeto (voador) de desejo dela.

O Sexo dos Anjos

 Um ser humano normal, como você, só recebe a visita de um anjo em três ocasiões:

1. Para avisar que, se não parar com essa história de sodomia (e gomorria), a cidade inteira arderá no enxofre.

2. Para ordenar que você suba num morro e passe a faca no pescoço do seu único filho.

3. Para contar que sua mulher está grávida do novo Messias.

A bem da verdade, anjos nunca foram criaturas confiáveis. A começar por Lucibel, vulgo Lúcifer, espécie de Golbery de Deus que surtou, resolveu dar um golpe de estado e se deu muito mal. Apesar dessa índole duvidosa, porém, o culto aos anjos também virou cult neste fim de milênio. A questão, como sempre, é: a gatinha de olhos azuis que acende uma vela para o anjo da guarda todas as noites vale uma reza? Se a resposta for afirmativa, diga-lhe que você é íntimo de Gabriel, Samuel, Azrael, Miguel, Rafael, Manuel ou qualquer outra coisa terminada em “el” (Pastel e Sarapatel, não). Se quiser impressionar, explique-lhe que os anjos são divididos em três principados ou níveis hierárquicos. O primeiro principado é uma espécie de Forças Armadas de Deus e zela pela segurança do Céu. O segundo é composto de anjos mensageiros, que trazem recados do Senhor para os homens (“Seguinte, tu serás martirizado na próxima quarta-feira de manhã, o.k.?”). O terceiro principado fica na Terra mesmo, protegendo igrejas, cidades e, é claro, a sua gatinha de olhos azuis. Anjos freqüentemente se metem em assuntos terrenos. Ajudaram a tomar Antióquia, por exemplo, 900 anos atrás, durante a Primeira Cruzada. Pelo menos era o que se dizia na Idade Média, um tempo estranho.  

Pisando Nos Astros, Distraída  

Astrologia é sempre um bom assunto para engatar qualquer conversa. Mesmo que você não saiba absolutamente nada do assunto, pode se sair com essa: “Desculpe, Mô; nós, piscianos do segundo decanato, não acreditamos em astrologia”. (Torça para ela não perceber a ironia: pisciano acredita em qualquer coisa!) Algumas informações que podem ajudá-lo a ir ainda mais fundo: a astrologia foi desenvolvida na Babilônia e baseia-se no fato de que a Terra é o centro do Universo e 12 astros circulam ao seu redor, influenciando a vida das pessoas e a programação da TV a cabo. Não cometa a besteira de argüir que a Terra não é exatamente o centro do Universo e que os astros não circulam em torno dela. Você quer ou não quer a menina? Diante disso, tudo mais é irrelevante. Para conquistar gatas que vivem com a cabeça nas estrelas, vamos lhe ensinar um truque. Você por acaso percebeu que há sempre uma característica bacana e outra nem tanto para cada signo? Pois essa é a lógica zodiacal elementar. O resto dependerá de quão bom você é em matéria de chutes. E, mesmo se errar, não desanime. “Menina, você é tão sofisticada. Aposto que é de… deixe-me ver… Sagitário!” Há sempre o risco de ela responder: “Não, eu sou de Leão…” Respire fundo e vá em frente. “Eu sabia! Mas seu cometa lunar está em Sagitário, certo?” Essa abordagem é um tanto canalha, mas quase sempre funciona. Mesmo quando Júpiter avança pela segunda casa de Saturno, à esquerda de quem entra.

~Sabores… são tudo!

•Fevereiro 14, 2008 • Deixe um comentário

coquetel2.jpg

Adoro sabores. Gostos. De bebidas, comidas, temperos. De bocas… Como Jean- Baptiste Grenouille, de Patrick Süskind, O Perfume, vivo em busca do sabor ideal. O gosto “todo”. Aquele gosto. Um coquetel que seja tão bom quanto um beijo.  

De tudo um pouco…

•Fevereiro 10, 2008 • 1 Comentário

pintor-iranianoblogg.jpg

Como tudo o que é incipiente, o que vai aqui não é mais do que uma experiência. Uma de tentar levar a quem se interessa pelas mesmas atividades que eu informações, novidades, curiosidades e considerações pessoais. Sim, pessoais, já que, até que me prove o contrário, este espaço é usado pela maioria para a divulgação de idéias e preferências do seu criador. Portanto, caro visitante, fique à vontade. Deixe aqui seus comentários, sugestões e pedidos. E saiba, neste espaço, com o tempo, espero poder postar uma infinidade de textos, dicas, idéias e etc. sobre literatura, pintura, teatro, coquetelaria, cordel e fotografia, entre outros.

Aliás, já que prometi dicas, dêem uma visitada no site oficial deste pintor iraniano, Iman Maleki. É impressionante o que o cara é capaz de fazer com um pincel…

Comício de beco estreito

•Fevereiro 9, 2008 • Deixe um comentário

“Pra se fazer um comício
Em tempo de eleição
Não carece de arrodei
Nem dinheiro muito não
Basta um F-4000
Ou qualquer mei caminhão
Entalado em beco estreito
E um bandeirado má feito
Cruzando em dez posição.

Um locutor tabacudo
De converseiro comprido
Uns alto-falante rouco
Que espalhe o alarido
Microfone com flanela
Ou vermelha ou amarela
Conforme a cor do partido.

Uma ganbiarra véa
Banguela no acender
Quatro faixa de bramante
Escrito qualquer dizer
Dois pistom e um taró
Pode até ficar melhor
Uma torcida pra torcer

Aí é subir pra riba
Meia dúzia de corruto
Quatro babão, cinco puta
Uns oito capanga bruto
E acunhar na promessa
E a pisadinha é essa:
Três promessa por minuto.

Anunciar a chegança
Do corruto ganhador
Pedir o “V” da vitória
Dos dedo dos eleitor
E mandar que os vira-lata
Do bojo da passeata
Traga o home no andor.

Protegendo o monossílabo
De dedada e beliscão
A cavalo na cacunda
Chega o dono da eleição
Faz boca de fechecler
E nesse qué-ré-qué-qué
Vez por outra um foguetão.

Com voz de vento encanado
Com os viva dos babão
É só dizer que é mentira
Sua fama de ladrão
Falar dos roubo dos home
E tá ganha a eleição.

E terminada a campanha
Faturada a votação
Foda-se povo, pistom
Foda-se caminhão
Promessa, meta e programa…
É só mergulhar na Brahma
E curtir a posição.

Sendo um cabra despachudo
De politiquice quente
Batedorzão de carteira
Vigaristão competente
É só mandar pros otário
A foto num calendário
Bem família, bem decente:

Ele, um diabo sério, honrado
Ela, uma diaba influente
Bem vestido e bem posado
Até parecendo gente
Carregando a tiracolo
Sem pose, sem protocolo
Um diabozinho inocente”.

(Jessier Quirino)

Sem comentários…!

•Fevereiro 9, 2008 • 1 Comentário

nova-que-nao-deu-certo.jpg

Vida longa eu não alcanço, na orgia ou no prazer

Mas enquanto eu não morrer, bebo, fumo, jogo e danço,

brinco, farreio, não canso, me censure quem quiser.

Pois enquanto vida eu tiver, cumprindo essa sina venho

e, além dos vícios que tenho, sou perdido por mulher!

De alguém… de um filme… “O homem que desafiou o diabo”!